Apresentando Taylor Swift — uma playlist

Crédito: Getty Images

Sempre quis escrever um texto sério sobre porque eu gosto tanto da Taylor Swift. Ainda não é esse. Por ora, resolvi criar uma playlist para apresentar as canções a quem não conhece (ou conhece apenas superficialmente) a obra da cantora e compositora. Mas só a playlist não foi suficiente para minha sanha em converter pessoas à Igreja Swifitiana do Décimo Terceiro Dia. Quis dissertar sobre cada uma das minhas escolhas. São 18 músicas, contidas nos nove álbuns de estúdio da estadunidense.

Não são, necessariamente, canções que representam o disco em que elas aparecem. Foram vários os critérios que utilizei: excelência na letra, melodia que se destaca dentre as outras etc. Tentei deixar os singles de fora (a não ser por motivos de força maior — como, por exemplo, a música ser uma das minhas prediletas). Shake It Off não está aqui tanto por ser famosa demais, quanto por ser ruim. (Fã ≠ acrítica.)

Segui a ordem cronológica dos lançamentos. O que é arriscado, pois as seis primeiras canções são country (yeehaw!). Se você torce o nariz pra esse gênero, sugiro escutar a playlist no modo aleatório (o resto é pop e alternativo). Se você não tem nada contra, é legalzinho ouvir na ordem e contemplar as mudanças de rumo que ela tomou ao longo desses mais de 15 anos de carreira.

[Aos fãs xiitas: pus na playlist as versões originais das músicas do Fearless e do Red. Simplesmente porque elas soam melhor do que as versões de 2021. Sue me.]

1. Our Song (‘Taylor Swift’, 2006)

O autointitulado primeiro álbum da cantora, lançado quando ela tinha apenas 16 anos, é muitas vezes ignorado pelos fãs. Eu me incluo nessa patota. Contudo, Our Song é uma pequena joia. Sim, é uma música clichê escrita por uma adolescente. Mas, por algum motivo, ela me emociona pra burro. A ponto de me fazer chorar desavergonhadamente no refrão.

Algo sobre o primeiro amor, sobre os pequenos detalhes daquele namorico, falar baixinho ao telefone pra mãe não ouvir, chegar em casa e pedir a Deus para que aconteça tudo de novo (ah, essa fase garota country cristã conservadora de Nashville...) É tão puro, ingênuo. Bobo. Mas quem não é bobo aos 16? Eu sou boba aos 26…

Our song is the slamming screen door
Sneakin’ out late, tapping on your window
When we’re on the phone, and you talk real slow
’Cause it’s late, and your mama don’t know
Our song is the way you laugh
The first date, “Man, I didn’t kiss her, and I should have”
And when I got home, ‘fore I said, “Amen”
Asking God if he could play it again

(tradução)

2. The Way I Loved You (‘Fearless’, 2008)

Essa é uma das músicas mais impopulares do Fearless entre o fandom. Incluí-a porque ela tem uma qualidade melodramática tããão a cara da TS jovenzinha que vale a pena conferir essa interpretação. É sobre estar namorando um cara incrível, mas ainda pensar no ex babaca (quem nunca, né?).

But I miss screaming and fighting and kissing in the rain
And it’s 2:00 a.m. and I’m cursing your name
So in love that you act insane
And that’s the way I loved you
Breakin’ down and coming undone
It’s a roller coaster kinda rush
And I never knew I could feel that much
And that’s the way I loved you

(tradução)

3. Forever & Always — Piano Version (‘Fearless’, 2008)

Adentramos a seara dos ex-namorados célebres. Esta é a música mais famosa sabidamente escrita sobre Joe Jonas, da banda Jonas Brothers. Taylor a escreveu após o cantor terminar com ela por telefone, numa ligação de 25 segundos (um dos maiores babados da década retrasada — só quem viveu sabe).

O piano ajuda na expressão de toda a mágoa por ter sido sacaneada dessa maneira. A versão original, mais popzinha, é uma daquelas músicas pra cima cuja letra não acompanha o mood alegrinho. Mas é legal também.

Was I out of line?
Did I say something way too honest,
made you run and hide
Like a scared little boy

(tradução)

4. Speak Now (‘Speak Now’, 2010)

Aqui, TS exibe sua enorme habilidade em contar histórias. Ela imagina o casamento de um cara por quem é apaixonada. Descreve a noiva empolada, a afetação dos parentes e madrinhas, as flores da decoração, o órgão tocando a marcha nupcial. O mítico momento do “fale agora ou cale-se para sempre”. Um quadro muito vívido. É o que ela faz de melhor.

I am not the kind of girl
Who should be rudely barging in on a white veil occasion¹
But you are not the kind of boy
Who should be marrying the wrong girl

(tradução)

¹ Sério, só my girl Taylor se referiria a um casório usando a pomposa expressão white veil occasion (risos).

5. Haunted (‘Speak Now’, 2010)

Okay, eu amo essa música há 12 anos. Foi um daqueles amores à primeira ouvida. Ia e voltava da escola sofrendo por um amor imaginário, as one does. Assim como The Way I Loved You, é um belo exemplo da dramaticidade de TS. Mas esta é uma música mais complexa, mais trabalhada nos arranjos. Tem um violino que é *chef’s kiss*.

Come on, come on, don’t leave me like this
I thought I had you figured out
Something’s gone terribly wrong
You’re all I wanted
Come on, come on, don’t leave me like this
I thought I had you figured out
Can’t breathe whenever you’re gone
Can’t turn back now, I’m haunted

(tradução)

6. All Too Well (‘Red’, 2012)

É ela. A maior. A magnífica. A magnânima. A deusa. A louca. A feiticeira. A favorita da fanbase. [“Virou queridinha da academia? Virou, virou queridinha. Mas não é só da academia, é porque ela é boa mesmo” (BOSCOV, Isabela)] Confesso que demorei a enxergar o apelo de All Too Well. Achava-a superestimada. Aí eu levei um pé na bunda. E entendi tudo.

É a mais perfeita, catártica e eficiente música de fossa. Você sofre ao longo dos versos, aí chega na ponte e você grita com toda a força que há em seu coração cambaleante. Ao fim, você coloca pra tocar de novo. Repita até as lágrimas secarem.

Sim, nós odiamos o Jake Gyllenhaal. Mas ficamos secretamente felizes por ele ter inspirado esse masterpiece. Obrigada por seus serviços e melhore enquanto pessoa, Jake.

AAAAAND
YOU CALL ME UP AGAIN JUST TO BREAK ME LIKE A PROMISE
SO CASUALLY CRUEL IN THE NAME OF BEING HONEST
I’M A CRUMPLED UP PIECE OF PAPER LYING HERE
’CAUSE I REMEMBER IT ALL, ALL, ALL
TOO WELL

(tradução)

7. Holy Ground (‘Red’, 2012)

O Red tem vááárias músicas icônicas, então fiquei um tempinho pensando em qual delas incluiria aqui, ao lado da legendária All Too Well. Acredito que Holy Ground seja uma boa escolha, pois (1) a letra é reflexiva, sagaz e competente; (2) ela é upbeatzinha sem ser irritante (sim, We Are Never Ever Getting Back Together, estou falando de você).

I was reminiscing just the other day
While having coffee all alone, and Lord, it took me away
Back to a first glance feeling on New York time
Back when you fit my poems like a perfect rhyme

(tradução)

8. Style (‘1989’, 2014)

Essa belezinha foi escrita para Harry Styles, outro dos ex-namorados famosos. É, talvez, o single menos celebrado da era 1989. Eu mesma não a conheci na época, quando era apenas uma ouvinte casual — minha primeira fase swiftie terminou lá por 2010 mesmo.

Ouvi-a pela primeira vez em 2019, enquanto zapeava por clipes antigos de divas pop no YouTube. Aqueles clipes que passavam no TVZ, do Multishow, nos good ol’ days. A thumbnail de Style me chamou a atenção: uma névoa, um azul cerúleo, circundando o perfil de TS.

Ao ouvir a canção, tive uma forte sensação de nostalgia. De algo que eu nem vivi. Parecia que a experiência de outra pessoa estava tomando conta de mim naquele momento. Alguém que, lá por 2014-2015, ouvia essa música enquanto pensava no seu objeto de afeto.

You got that James Dean daydream look in your eye
And I got that red lip classic thing that you like
And when we go crashing down, we come back every time
’Cause we never go out of style, we never go out of style

(tradução)

9. New Romantics (‘1989’, 2014)

Essa é uma música que, inexplicavelmente, só aparece na versão deluxe do 1989. Embora não seja nada de outro mundo [“É inovadora e revolucionária? Não. Mas durante aqueles três minutos…” (Boscov, em livre adaptação)], é superior a algumas bombas presentes aqui, como Bad Blood e a supracitada Shake It Off.

Assumo que 1989 não é dos meus discos favoritos da Taylor (e é um crime ele ter batido To Pimp A Butterfly, do Kendrick Lamar, na categoria de álbum do ano no Grammy 2015), mas New Romantics se destaca dentre o marasmo pop.

Heartbreak is the national anthem
We sing it proudly
We are too busy dancing
To get knocked off our feet
Baby, we’re the new romantics
The best people in life are free

(tradução)

10. Delicate (‘reputation’, 2017)

Aqui começa minha fase favorita da carreira da Taylor. Entre 2017 e 2020, ela lançou quatro álbuns completos. E eles são os meus top 4 discos da TS. Delicate fala sobre conhecer alguém novo e temer que a opinião pública arruíne esse potencial romance.

Vale lembrar que reputation saiu após tooodo aquele drama com Kanye West e Kim Kardashian, em 2016. A cantora foi canceladíssima pela internet e perdeu o status de pop princess mais querida da época (falo um pouco sobre isso nesse texto sobre DOCE 22, da Luísa Sonza).

This ain’t for the best
My reputation’s never been worse, so
You must like me for me

(tradução)

11. Dancing With Our Hands Tied (‘reputation’, 2017)

Essa não apenas é minha música favorita do reputation, mas também a minha música favorita dentre todas as mais de 200 músicas já lançadas por TS. A temática é parecida com a de Delicate: medo de que o mundo a separe do ser amado (o ator inglês Joe Alwyn, namorado de Taylor desde 2016 e muso de boa parte de suas canções desde então — obrigada por seus serviços, Joe, e continue sendo essa pessoa maravilhosa).

Acho que eu não tenho distanciamento o suficiente pra explicar porque gosto tanto dela. Talvez seja a vulnerabilidade exposta, a insegurança. As imagens de avalanche, oásis, inundação. Gosto também da forma como TS canta a ponte, na última vez em que ela diz “If I could dance with you again”, antes de voltar pro refrão:

I’d kiss you as the lights went out
Swaying as the room burned down
I’d hold you as the water rushes in
If I could dance with you again

E outro trecho, porque eu não consigo escolher só um:

And darling, you had turned my bed into a sacred oasis
People started talking, putting us through our paces
I knew there was no one in the world who could take it
I had a bad feeling

(tradução)

A versão presente no álbum (e na playlist) é pop. Mas durante a turnê do reputation, Taylor apresentou uma versão acústica que é absolutamente tudo na minha vida — infelizmente, ela não existe no Spotify.

12. Dress (‘reputation’, 2017)

Uma das músicas mais safadinhas da discografia de TS. Não tem muita função na playlist. É só porque eu gosto dela. E pro número de faixas ser par. Na verdade, eu gosto do fato de a Taylor ter se empoderado (não gosto dessa palavra, mas aqui cabe) ao ponto de escrever abertamente sobre sexo em suas músicas.

Por muito tempo ela esteve presa à personagem de moça-perfeita-exemplo-para-todas-as-meninas-dos-Estados-Unidos e isso cerceou suas composições. Ela até mesmo demorou para citar bebidas alcoólicas (!) em suas músicas. Enfim, foda-se o patriarcado, am I right?

Carve your name into my bedpost
’Cause I don’t want you like a best friend
Only bought this dress so you could take it off
Take it off (ah, ah, ah, ah)

(tradução)

13. Lover (‘Lover’, 2019)

Aquela música que toda a fanbase quer que toque em seu casamento. TS reescreve os tradicionais votos de matrimônio e os traz para seu universo e de seu noivo-to-be. Tem um vídeo bem legal do New York Times em que Taylor e o produtor Jack Antonoff explicam como deram vida à canção.

Ladies and gentlemen, will you please stand?
With every guitar string scar on my hand
I take this magnetic force of a man to be my lover
My heart’s been borrowed and yours has been blue
All’s well that ends well to end up with you
Swear to be overdramatic and true to my lover

And you’ll save all your dirtiest jokes for me
And at every table, I’ll save you a seat, lover

(tradução)

14. False God (‘Lover’, 2019)

Mais uma das músicas safadinhas de TS. Só que aqui a coisa é mais refinada, mais poética. E blasfêmica. É a música mais diferente de toda a obra da cantora. Ela não fez nada igual a isso antes ou depois. Tem uma qualidade jazz gostosa, Nova York, saxofone. Meu sonho é ela fazer um álbum completo nessa pegada. Seria condizente com essa fase mais madura de sua carreira.

But we might just get away with it
Religion’s in your lips
Even if it’s a false god
We’d still worship
We might just get away with it
The altar is my hips
Even if it’s a false god
We’d still worship this love

(tradução)

15. invisible string (‘folklore’, 2020)

Ai, ai, aquele sentimento que você tem quando se apaixona... Refletir sobre os lugares por onde passou, as pessoas que amou antes de encontrar essa, A Pessoa Certa™. Perguntar-se se vocês cruzaram um com outro por esse mundão antes de se conhecerem. As coincidências entre os passados dos dois. E aquela ideia boba de que destino existe, e vocês foram designados um para o outro desde o nascimento (ou de vidas passadas, caso se acredite em reencarnação). Ligados um ao outro por um fio invisível que eventualmente promoveu esse encontro feliz. Bobeira, bobeira. Mas tão bonito e acalentador.

Time, curious time
Gave me no compasses, gave me no signs
Were there clues I didn’t see?
And isn’t it just so pretty to think
All along there was some
Invisible string
Tying you to me?

(tradução)

16. peace (‘folklore’, 2020)

Essa é uma reflexão sobre como o modo de vida da Taylor (ser uma das pessoas mais famosas do mundo, ser seguida por paparazzi e stalkers etc.) pode afetar seu companheiro e o relacionamento deles. Tal como as músicas do reputation, exprime insegurança e até mesmo culpa.

A melodia, criada pelo produtor Aaron Dessner (da banda The National), é delicada e particular. A estrutura da música é bastante diferente do que TS costuma fazer. Não há um refrão tradicional, nem mesmo uma das clássicas pontes swiftianas. Ela é compacta e suficiente. [“É muito bonita, é muito silenciosa, é muito discreta, é muito contida. E eu amei” (Boscov, em livre adaptação)]

But I’m a fire, and I’ll keep your brittle heart warm
If your cascade ocean wave blues come
All these people think love’s for show
But I would die for you in secret
The devil’s in the details, but you got a friend in me
Would it be enough if I could never give you peace?

(tradução)

17. gold rush (‘evermore’, 2020)

Outra das diferentonas. O começo tem uma aura mística, onírica, etérea. Depois vira um synth pop gostosinho. A letra é uma bela adição à mitologia que Taylor criou para seu relacionamento com Joe Alwyn (quero escrever sobre isso no futuro. Sobre como existem símbolos na história do casal que se repetem nas letras). Assim como peace, é uma das canções mais breves de TS. Deixa-nos querendo mais, but in a good way.

My mind turns your life into folklore
I can’t dare to dream about you anymore
At dinner parties
Won’t call you out on your contrarian shit
And the coastal town
We never found will never
See a love as pure as it

(tradução)

Não é isso que a gente faz quando escreve sobre alguém? Eu sei que transformei algumas vidas e algumas relações em folclore nos meus escritos (risos).

18. ivy (‘evermore’, 2020)

Existe a teoria de que essa canção foi inspirada na vida da poeta Emily Dickinson. Isso ganhou força após a série Dickinson, da Apple TV, tê-la adicionado em sua trilha sonora. Pra mim, ivy é uma das mais bem-sucedidas descrições do amor já feitas em qualquer forma de arte. Como bem disse Boscov, “do meu ponto de vista pessoal, vou dizer: é uma obra-prima”.

Oh, I can’t
Stop you putting roots in my dreamland
My house of stone, your ivy grows
And now I’m covered in you

Mais um:

I wish to know
The fatal flaw that makes you long to be
Magnificently cursed

Agora outro:

How’s one to know?
I’d live and die for moments that we stole
On begged and borrowed time

(tradução)

Ufa! Acabou. Espero que esse texto consiga fazer com que alguém deixe o preconceito de lado e dê uma chance pra essa artista formidável. A gente encontra coisas maravilhosas quando vai com o espírito desarmado. Guilty pleasure ficou lá por 2013. É tempo de bancarmos o que gostamos.

Enjoy

Editado em 21/06/2022:

Estava pensando sobre essa lista, e resolvi fazer algumas modificações (aqui está a nova playlist).

Dentre as músicas do Red, eu sacaria Holy Ground (apesar de amá-la) e colocaria State of Grace, porque ela tem uma letra superior (um trecho que me toca profundamente é: “These are the hands of fate/You’re my Achilles heel”). É a música que abre o Red, e tem uma versão acústica linda na edição deluxe do álbum.

No bloco do reputation, eu trocaria Delicate (que é doce, mas não uma das mais fortes do álbum) por …Ready For It?, outra faixa 1. A verdade é que eu sempre esqueço quão boa é a primeira metade do reputation. Todas aquelas músicas da persona vingativa da Taylor. É um pop porreta. E tiraria Dress também, porque nem é uma das melhores da segunda metade do álbum. Se tivesse de pôr outra no lugar, seria King of my Heart, que também tem uma pegada sexy, mas é mais carismática, penso eu.

Ouça a playlist atualizada aqui.

Aproveitando o ensejo, tenho também uma playlist que mescla as melhores músicas do folklore e do evermore, os dois últimos álbuns da TS. São 13 canções (entendedores entenderão) belíssimas, dentre elas dois feats com Bon Iver.

Crédito: Getty Images

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Leitora e escrevedora de transporte público. (Instagram: @santosacarolina)

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Ana Carolina Santos

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