Como está você de verdade

Eu te escrevi tantas cartas. No inbox do Facebook, num papelzinho dentro de um álbum dos Arctic Monkeys (lembra?), no WhatsApp (quando nem existiam as fake news). Me lembro de uma que mandei por esse último. Escrevi no bloco de notas do meu celular antigo, copiei, colei e enviei. Lembro que ela terminava com a frase do título dessa… carta? Como está você de verdade. Naquela época, eu havia acabado de conhecer o Cage The Elephant, uma banda que meu amigo Victor me apresentou.

Eles têm essa música, “How Are You True”, desse álbum de 2015 (acho que foi nesse ano que eu te enviei a referida carta) que se chama “Tell Me I’m Pretty”. Esse álbum que eu tô ouvindo agora enquanto lembro da sua existência. Eu escrevi aquela carta de amor e pus essa frase. Que eu nem sei se é a tradução correta da música. Só sei que faz sentido pra mim assim. Fazia todo o sentido naquele dia de 2015.

Naquele dia de 2015, eu havia te visto nas dependências da minha faculdade. Fiquei sem reação. Você estuda no mesmo campus, mas em outro instituto. Assim como na Starbucks da Cinelândia no dia do ato do #EleNão — a última vez que te vi, meu fantasma querido — , você estava com uma blusa florida e uma menina do lado. Não sei porque lembrei de você. Ah, sim, porque reli os poemas que te escrevi no ano passado. Você me chamou pra ver “Paterson” no cinema. Paterson, o motorista de ônibus que escreve poemas. Acabou que não fomos. Não fomos.

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Leitora e escrevedora de transporte público. (Instagram: @santosacarolina)

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Ana Carolina Santos

Ana Carolina Santos

Leitora e escrevedora de transporte público. (Instagram: @santosacarolina)

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