Diálogo carioca e outros poemas

— Qual é a sua estação preferida?
— Cinelândia.
— Não, estação do ano.
— Ah.

Eu era capaz de atravessar
Thomaz Coelho e a Vila Cosmos
de bicicleta só pra correr ao teu lado.

E isso diz muito sobre minhas coxas

[Releitura de “O último poema do último príncipe”, da poeta portuguesa Matilde Campilho.]

No meu mundo
Nenhum homem negro é espancado
até a morte em um hipermercado
Nenhuma família passa fome
Nenhuma pessoa em situação de rua
pega chuva ou passa frio

Hoje, no meu mundo,
Só existem piques enérgicos
movidos pela força da felicidade
e não pela força do ódio,
como outrora

Eu corro
Corro
Corro
Com um sorriso no rosto

Ninguém vê meu sorriso
Pois estamos em uma pandemia
e uso máscara

Mas eles podem ver
meus olhinhos diminutos
E minhas pernas fortes
A correr em tua direção

Mais tarde você virá
E meu mundo continuará
desse verde vibrante
Esperançoso

Meu amor feliz

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Leitora e escrevedora de transporte público. https://linktr.ee/santosacarolina

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